Património cultural e edificado

Palácio dos Duques de Aveiro

Apesar do seu estado de degradação, é a construção mais monumental e a que melhor simboliza o passado aristocrático das terras de Azeitão.
Foi construído em meados do século XVI por ordem de D. João de Lencastre (primeiro Duque de Aveiro), em terrenos que lhe foram cedidos pelos frades do Convento de S. Domingos.
Neste palácio foi preso o Duque de Palmela e toda a sua família, por alegada participação numa conjura contra o Rei D. José.
Sobre o portal ainda é visível o brasão de armas ducais, picado por ordem do Marquês de Pombal.
Após a prisão do duque, foi saqueado, tendo desaparecido todo o seu recheio. Mais tarde o edifício foi cedido pelo Marquês de Pombal a um industrial para a instalação da primeira fábrica de chitas existente em Portugal e que funcionou de 1755 a 1846.
É um solar severo e majestoso, em estilo maneirista.

Igreja de S. Lourenço

A actual construção remonta ao século XVI mas, no local, já existia um templo desde o séculoXIV, do qual nada subsiste.
É uma igreja de volumetria simples e fachadas rectilíneas, que merece ser visitada pelo seu interior rico em azulejos: os da cúpula (século XVII), os da capela-mor, atribuíveis à oficina de Mestre António Oliveira Bernardes (século XVIII) e os do baptistério (época pombalina).
Dignos de referencia são também a pia baptismal e púlpito (quinhentistas, em brecha da Arrábida) e o painel, em alto relevo, de faiança esmaltada, representando a Virgem e o Menino (século XVI, proveniente do convento dominicano).

Fonte da Aldeia Rica

Construída no século XVI, recebeu obras de beneficiação no século XVIII, tendo-lhe sido aplicado o belíssimo baixo-relevo maneirista.
Pensa-se que este painel fazia parte de um conjunto de três que decoravam o Palácio dos Aveiros (os outros dois encontram-se na posse de coleccionadores particulares).

Quinta das Torres

Um dos principais e mais belos conjuntos arquitectónicos da renascença em Portugal.
Construída em 1570, por iniciativa de D. Diogo d’Eça, um adepto das novas ideias do Humanismo Renascentista.
Desenvolve-se à volta de um pátio central quadrado, para o qual dá a fachada nobre. Nos ângulos da casa estão as torres que dão o nome à quinta.
Sobre o pórtico da entrada podem ser vistos dois torreões em forma de pirâmide, característicos do Renascimento.
A fachada norte dá para os jardins e lago, no centro do qual se ergue um pequeno «tiempetto» assente em 12 colunas.
No interior da casa há salas com tectos em madeira, portas à romana e painéis de azulejo. Na sala que dá para o lago, que, na opinião de Santos Simões, teria sido originalmente uma galeria aberta semelhante às «Casas de Fresco» da Quinta da Bacalhoa, podem observar-se dois notáveis painéis de majólica italiana, provavelmente da oficina de Mestre Orazio Fontana de Urbino, representando cenas mitológicas.
Todo o conjunto é enquadrado por um belíssimo arvoredo que cria um ambiente idílico.

Igreja de S. Simão

A primitiva capela dedicada a S. Simão é de origem muito antiga, sabendo-se apenas que já existia no século XVI.
Em 1569, Afonso de Albuquerque oferece uma imagem da Sra. da Saúde e o seu filho compromete-se a construir uma igreja para fundar a freguesia de S. Simão.
O templo foi bastante afectado pelo terramoto que destruiu três das suas quatro torres. O aspecto mais notável desta igreja é o revestimento azulejar que cobre totalmente as paredes. Trata-se de azulejos característicos do século XVII, de tipo «tapete», em azul, branco e amarelo onde se inscrevem pequenos painéis figurativos.

Forte da Arrábida

Foi construído em 1676, após a Guerra da Restauração, com os objectivos de reforçar a defesa da costa e de proteger o convento.
Actualmente encontram-se aí instalados o Museu Oceanográfico (aquários com espécies da fauna e flora do litoral da Arrábida) e um Centro de Biologia Marinha.

Convento de S. Domingos

Construído em 1434, ruiu por ocasião do terramoto de 1755. Dele subsistem apenas a entrada nobre com cantarias (séc. XV-XVI).

Museu Sebastião da Gama

Dedicado à memória do «poeta da Arrábida».

Fonte de Pasmados

Imponente construção,mandada erigir no século XVIII pelo Juiz Machado de Faria.
Em estilo barroco, com influência das obras de Carlos Mardel em Lisboa, é composto por uma bacia polilobada em mármore rosa, encostada ao pano central, do qual corre a água por bicas abertas em duas carrancas.
O conjunto decorativo é completado com um vaso de flores e as armas reais.

LENDA: quem desta água beber ficará para sempre ligado a Azeitão.

Caves José Maria da Fonseca

Instaladas num edifício do século XIX. Albergam um pequeno museu com fotografias, troféus e maquinaria antiga.
Um jardim interior dá acesso às caves de envelhecimento, uma das quais ocupa o Armazém dos Teares da antiga Fábrica de Chitas.

Fonte de Oleiros

Decorada com duas «figuras de convite» envergando fardamento militar, adoptado após a reorganização do exército português feita pelo Conde de Lippe (1762).

Quinta da Bacalhoa

A Quinta recebeu, ao longo da história, várias designações: «Ville Fraiche», «Quinta da Condestablessa » ou «Quinta do Paraíso». O nome de «Bacalhoa » só surge a partir do século XVII, quando a Quinta entra na posse de D. Maria de Mendonça, casada com D. Jerónimo Manuel, que tinha por alcunha «O Bacalhau».
É a mais famosa quinta da região devido ao seu rico património azulejar dos séculos XV e XVI. Primitivamente (1427), existiria neste local um pavilhão de caça pertencente ao infante D. João, Mestre de Santiago. Sua filha, D. Brites, herdou a propriedade tendo erigido o palácio e as cercas com cubelos de cúpulas gomadas.
A actual construção data de 1528, sendo obra de Braz de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque.
A nova construção manteve alguns elementos dos edifícios anteriores (as abóbadas de ogiva, as torres com cúpulas de gomos incorporadas no palácio e dispersas pela quinta), mas segue já os ensinamentos do renascimento, tanto pela planta em L, pela simplicidade das linhas direitas e pelos ritmos e equilíbrio da construção, como pelas loggias que se abrem nas fachadas.
O jardim, que se desenvolve em volta de uma fonte, presenteia-nos com um conjunto de buxos de desenho geométrico, seguindo o modelo do jardim renascentista, de que é percursor no nosso país, sendo mesmo considerado um dos mais notáveis monumentos da nossa arquitectura paisagística.
São, contudo, os azulejos que decoram o palácio, canteiros, bancos de jardim e a Casa do Lago que mais contribuem para a fama deste palácio.
Em variadíssimos padrões geométricos de técnicas de aresta e corda seca, os azulejos sevilhanos da primeira metade do século XVI enriquecem de cor a Casa de Fresco que dá para o lago. Trata-se de azulejos de majólica, alegóricos e simbólicos, inspirados em gravuras flamengas ou com motivos naturalistas.
Surgem, ainda, revestimentos de azulejos lisos monocromáticos colocados na diagonal, criando o padrão xadrez tão usual da época.

Convento da Arrábida

Tem origem numa lenda que nos conta que um mercador inglês que se dirigia a Lisboa teria sido surpreendido por uma forte tempestade que partiu o mastro do seu barco, que ficou à deriva. Temendo o pior, a tripulação procurou a ajuda de uma imagem da Virgem que se encontrava num oratório, mas ela havia desaparecido. Nesse mesmo momento, vislumbraram uma luz que brilhava ao fundo e, de imediato, a tempestade amainou. Assim que amanheceu, subiram à serra para procurar a origem daquela estranha luz e, surpreendidos, encontraram a imagem desaparecida.
Atribuindo a salvação a um milagre, alguns dos homens decidiram ficar para sempre neste lugar, dando origem ao primeiro ermitério.
A fundação do convento resultou de um encontro que D. João de Lencastre (primeiro duque de Aveiro) teve, em Espanha, com Frei Martinho, um religioso castelhano, que lhe terá confessado o seu desejo de fazer uma vida eremita dedicada exclusivamente a Nossa Senhora. O duque indicou-lhe a Arrábida, onde já existia uma ermida em que se venerava Nossa Senhora da Arrábida.
A primeira comunidade, constituída por Frei Martinho e três outros religiosos, instalou-se, em 1539, junto à ermida da Memória, já então centro de grandes romarias. Durante dois anos viveram em celas escavadas nas rochas. Estas celas e as capelas que se encontram na parte mais elevada da serra constituem o que é designado por Convento Velho.
Porque as condições de vida eram duríssimas, uma nova comunidade funda em 1542 o Convento Novo, constituído por igreja, capelas, celas minúsculas, fontes, cozinha e refeitório e biblioteca, num jogo de volumes e desníveis que constitui um belíssimo exemplo de integração da arquitectura na paisagem.
Na sacristia, ex-votos lembram a grande devoção das nossas gentes pela Senhora da Arrábida. Na fachada da Igreja pode-se ver uma curiosa escultura de grandes dimensões de Frei Martinho, onde o religioso surge com os braços abertos, os olhos vendados e a boca fechada por um cadeado. Nas mãos empunha um círio e um cilício e tem os pés assentes sobre um dragão e a esfera do mundo.
Junto ao Convento, no Santuário do Bom Jesus existe uma interessante construção de meados do século XVII, com um pequeno jardim.